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Tipo: Dissertação
Título: Família, gênero e sexualidade: uma análise do discurso de pais de meninos e meninas
Autor: CAMPOS, Maria Teresa de Assis 
Primeiro orientador: TILIO, Rafael de
Resumo: A família representa instituição referência tanto na ordem social, quanto no desenvolvimento de seus membros. Ela comumente caracteriza-se como o primeiro núcleo de socialização dos sujeitos, tendo forte relevância na constituição de suas identidades e subjetividades. Frequentemente ela é significada como lócus de afeto, amor e acolhimento, porém as relações estabelecidas em seu interior estão sujeitas a formatações hierárquicas, que criam espaços para o aparecimento (ou manutenção) da dominação e da violência, muitas vezes apoiadas em normatizações de gênero. No entremeio das relações humanas, inclusive as familiares, estão os discursos, sustentando determinadas práticas, normas e ideologias, que mediam comportamentos e produzem sentidos, inclusive sobre sexualidade e gênero. Diante dessas questões, este estudo buscou identificar alguns dos sentidos produzidos sobre gênero e sexualidade no contexto familiar, a partir de duas perspectivas: no estudo um identificando as Formações Discursivas sobre a maternidade e a paternidade e no estudo dois identificando as Formações Discursivas sobre o feminino e o masculino. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e de corte transversal. Participaram do estudo cinco casais heterossexuais, coabitando há pelo menos dez anos e que possuíam pelo menos um filho e uma filha entre quatro e dezesseis anos. A coleta de dados foi realizada por meio de dois roteiros de entrevista semiestruturada, um para a aplicação individual com os cônjuges e um para a aplicação conjunta. Todas as entrevistas foram realizadas no mesmo dia, uma em seguida da outra, começando pelas individuais, a partir da ordem escolhida pelos participantes, e finalizando com a aplicação com o casal. As entrevistas foram audiogravadas e transcritas na íntegra. Posteriormente, os dados foram organizados e analisados à luz da Análise do Discurso de Pêcheux. Constatou-se que os participantes acentuam em seus discursos diferenças entre o masculino/pai e o feminino/mãe, e essas diferenças são apontadas por eles, de maneira direta ou indireta, como diretrizes que norteiam a divisão de tarefas, a rotina familiar, suas práticas referentes à parentalidade e o modo como educam os seus filhos. Essa diferenciação se sustenta em um apagamento histórico da construção social dos estereótipos de gênero, travestindo-o em algo dado, natural e biológico. Dessa maneira, homens/pais e mulheres/mães se adequam a papéis previamente estipulados na Formação Ideológica vigente (heteronormativa, binária e de dominação masculina) respondendo não a uma condição biológica, mas sim à Formações Imaginárias que os situam discursivamente, cerceando suas possibilidades de ser e orientando suas identidades, práticas e escolhas. A reiteração constante dos discursos tradicionais sobre sexualidade e gênero no âmbito familiar contribui para a cristalização de normativas que favorecem as relações de dominação e exploração, já que a família é responsabilizada por garantir que os sujeitos estejam adequados à Formação Ideológica em que estão inseridos. Por fim, a diferenciação entre o masculino e o feminino exerce papel crucial na sustentação dos modelos de produção capitalista, pois restringe os sujeitos às atividades designadas pela divisão social (e sexual) do trabalho, porém quando atravessada pela linguagem e pela Ideologia o faz de maneira que os mesmos internalizem esses valores e práticas sob a perspectiva da escolha ou do natural, mantendo a ilusão de autonomia sobre si e sobre a própria produção discursiva.
Resumo: The family represents a reference institution both in the social order and in the development of its members. It is commonly characterized as the first nucleus of socialization of subjects, having a strong relevance in the constitution of their identities and subjectivities. Often it is signified as the locus of affection, love and acceptance, but the relationships established within it are subject to hierarchical formations, which creates spaces for the emergence (or maintenance) of domination and violence, often supported by gender norms. In the midst of human relations, including family relations, are the discourses, supporting certain practices, norms and ideologies, which mediate behaviors and produce meanings, including sexuality and gender. In view of these questions, this study sought to identify some of the meanings produced on gender and sexuality in the family context, from two perspectives: in the study one identifying the Discursive Formations on motherhood and fatherhood and in the study two identifying the Discursive Formations on the feminine and the masculine. This is a qualitative, exploratory and cross-sectional research. Five heterosexual couples, cohabiting for at least ten years and having at least one son and one daughter between four and sixteen years old, participated in the study. Data collection was done through two semi-structured interview scripts, one for the individual application with the spouses and one for the joint application. All the interviews were performed the same day, one after the other, starting with the individual ones, from the order chosen by the participants, and ending with the application with the couple. The interviews were audiographed and transcribed in full. Subsequently, the data were organized and analyzed in the Pêcheux Discourse Analysis. It was found that the participants accentuate in their discourses differences between the men / father and the women / mother, and these differences are pointed out by them, directly or indirectly, as directives that guide the division of tasks, the familiar routine, their parenting practices and how they educate their children. This differentiation is based on a historical erasure of the social construction of gender stereotypes, traversing it into something given, natural and biological. In this way, men / fathers and women / mothers fit the roles previously stipulated in the current Ideological Formation (heteronormative, binary and male domination) responding not to a biological condition, but to the Imaginary Formations that situate them discursively, limiting their possibilities of being and guide their identities, practices and choices. The constant reiteration of traditional discourses about sexuality and gender in the family contributes to the crystallization of norms that favor the relations of domination and exploitation, since the family is responsible for ensuring that the subjects are adequate to the Ideological Formation in which they are inserted. Finally, the differentiation between the masculine and the feminine plays a crucial role in sustaining the models of capitalist production, since it restricts subjects to the activities designated by the social (and sexual) division of labor, but when it is crossed by language and ideology, So that they internalize these values and practices from the point of view of choice or the natural, maintaining the illusion of autonomy about themselves and about the discursive production itself.
Palavras-chave: Sexualidade.
Gênero.
Maternidade.
Paternidade.
Análise do Discurso.
Sexuality.
Gender.
Motherhood.
Fatherhood.
Discourse Analysis.
Área do CNPQ: Psicologia
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Sigla da instituição: UFTM
Departamento: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Citação: CAMPOS, Maria Teresa de Assis. Família, gênero e sexualidade: uma análise do discurso de pais de meninos e meninas. 2017. 84f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, 2017.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
Data do documento: 14-Jul-2017
Appears in Collections:Programa de Pós-Graduação em Psicologia

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